Entrevista: Gislaine Ferreira
Rodrigo Bressane

Gislaine é daquelas pessoas que nascem para fazer bonito. E ela faz isso com exagero. Dona de um dos mais belos rostos de que se tem notícia, com direito a olhos de esmeralda, ela pode ser considerada "miss profissional". De carteirinha mesmo. Ganhou a coroa no Brasil e fez bonito no Panamá, ficando em 6º lugar como representante do País no mais importante concurso de beleza do mundo, o Miss Universo. E continua fazendo sucesso por onde passa, seja em desfiles, trabalhos para publicidade ou como jornalista.

Apesar da pompa que merece cada uma das misses desse nosso mundo, Gislaine dispensa o nariz empinado e qualquer traço de arrogância. Ao contrário, é simples, amável, sempre cordial, educada e muito bem humorada.

E foi sob a sombra destas qualidades que nos encontramos, durante dois meses, para planejar, organizar e executar o projeto deste site. Um cenário atípico para mim, acostumado a lidar com coisa mais "séria", como a apresentação de produtos e serviços de grandes empresas. Um passeio para ela, que tirou de letra cada momento e percebeu grandes possibilidades na web, como se este mundo da tecnologia lhe fosse dos mais familiares (ela garante que não é).

Ao todo, entre sessões de fotos e garimpagem no arquivo pessoal, mais de mil imagens foram digitalizadas para seleção e tratamento. Em cada encontro, novas idéias e, por culpa exclusiva de Gislaine, absoluta efiência nos sorrisos e olhares registrados por cada clique. O resultado é este site. Deveria ter sido um desafio contruí-lo. Mas com Gislaine por perto, foi pura diversão.

Quando e como você descobriu que se daria bem com este mundo das passarelas e concursos de beleza?

Na verdade, desde criança não podia ver uma máquina fotográfica, que eu já ia logo fazendo poses, caras e bocas. O meu primeiro desfile foi aos oito, só que de brincadeira. Estava vestida de caubói (risos). Foi apenas aos quatorze anos que participei do meu primeiro concurso de beleza. Com o apoio e o incentivo dos colegas de sala me tornei Rainha Estudantil Marista. Eu mal sabia que este seria o início de uma grande e vitoriosa trajetória que Deus tinha reservado para mim!

Quando ganhou seu primeiro concurso, você esperava chegar e ao Miss Brasil e vencer?

Na minha infância e parte da adolescência eu tinha mesmo era o sonho de ser paquita. Eu fui até paquita "cover" (risos). Nessa época o concurso de Miss estava esquecido. Não tinha cobertura da mída, como hoje. Eu só concorri ao Miss Brasil porque as coisas foram caminhando para isso naturalmente. Eu fui me envolvendo com esse mundo e apostando para ver onde ia chegar. Quando a minha participação no Miss brasil como representante do Estado do Tocantins foi confirmada eu não tinha certeza de que iria vencer, mas me preocupei em me apresentar bem.

E como foi quando "descobriu" que venceu?

Eu fui ao Miss Brasil muito tranqüila. Só a oportunidade de concorrer já era uma vitória. Quando ganhei eu ria de alegria mesmo. Na hora não cai a ficha da dimensão que o título tem. Você não imagina o quanto é trabalhoso. Viver aquilo é diferente de tudo. Eu só chorei quando saí do palco e encontrei minha mãe nos bastidores. Abri a boca, feito criança.

O que significa para você ser Miss Brasil?

É muito importante. É uma alegria imensa poder representar o meu País, do qual tenho muito orgulho. Adoro ser brasileira apesar das dificuldades, violência, desiguldade social. A gente tem muitas qualidades, muitas coisas boas. E eu tive sorte de participar do concurso no momento em que ele voltava para a mídia. Acabou me ajudando muito em meu curso de jornalismo. Eu era sempre a entrevistada, mas pude observar os jornalistas trabalhando. Foram oportunidades de ver o que em quatro anos de faculdade eu não vi. Ainda pude fazer alguns trabalhos como free-lancer e repórter. Tem gente que acha brega e ultrapassado ser Miss e que agora é a era da moda. Mas o próprio Miss Brasil está se modernizando. Eu incentivo as meninas que têm vontade de se candidatar. A gente amadurece como pessoa. Você lida com pessoas simples que mal tem o que comer e também com empresários e políticos de grande influência. É um paradoxo. Trabalha muito com o psicológico da gente.

Um concurso de beleza internacional, como o Miss Universo, é muito diferente dos eventos brasileiros? A avaliação de beleza muda em função das diferenças mais marcantes nos traços físicos das participantes?

A produção do Miss Universo é uma coisa fora do comum. O investimento é muito alto. São muitas câmeras e luzes. O palco é enorme. É como se fosse a entrega do Oscar. Apesar de ser um concurso, o Miss Universo é feito para a televisão. A gente sai do palco e tem o tempo do intervalo de TV para se trocar e voltar. Com relação à beleza, não existe um padrão. A gente sabe quais são as candidatas com maior potencial de ganhar pelo jeito que elas se comportam com o público, na rua, com a imprensa, pela forma que se vestem o jeito de andar e até pelo sorriso dá pra ver quem é falsa e quem não é. Para as finalistas a gente percebe que eles escolhem candidatas muito diferentes. Tem sempre uma oriental, uma latina, uma negra. Gosto não se discute.

Vaidade e beleza devem necessariamente caminhar juntas?

Eu acredito que a beleza é um dom divino, uma Graça de Deus. Mas, para manter ou aprimorar esta beleza tem que ter um mínimo de vaidade. Coisas como controle alimentar, atividade física e, se necessário, tratamento estético ou mesmo plástica. Antes de participar do concurso Miss Brasil eu não me preocupava tanto com coisas que hoje eu gosto. Não que não fosse vaidosa. Mas hoje eu me acho mais bonita e atraente quando estou maquiada. Gosto de academia. Não só pra manter o corpo. É uma hora em que você se esquece dos problemas para cuidar de si mesmo.

E você, já fez alguma cirurgia plástica? O que você acha das garotas que fazem para participar dos concursos?

Eu não fiz nenhuma cirurgia plástica, porque não quis. Acho que não há necessidade. O que faço é um controle alimentar, atividade física e tratamento estético, como massagem e drenagem linfática. Não tenho nada contra as meninas que fazem cirurgia para o concurso. Fica a critério de cada jurado avaliar as meninas que têm beleza natural e aquelas que têm beleza modificada. Muitos jurados acham que isso pesa. Para outros, não importa. Desde que a menina esteja em busca da perfeição, vale tudo.

Quais foram as melhores experiências que você viveu em função do título de Miss Brasil?

Conheci quase todo o Brasil. Foram 22 estados. Se não fosse o concurso talvez eu não teria esta oportunidade. Fui para o exterior seis vezes. Antes do título eu nunca tinha feito uma viagem internacional. Além disso, tem as amizades e os contatos profissionais. Eu ainda vou colher frutos de sementes que foram plantadas nesta época.

Houve alguma experiência ruim ou algo que tenha visto que a tenha decepcionado?

Não tenho do que me queixar. Claro que há algumas dificuldades, desentendimentos. Eu acho que o Miss Brasil ainda deve se profissionalizar mais. Deve dispor de uma equipe de apoio, como personal styler, seguranças, motoristas. Falta um pouco de estrutura. Mas a minha sorte foi ter feito amizades, antes de me tornar Miss, que me ajudaram muito.

Como é o seu trabalho hoje?

Ainda tem muito a ver com o mundo de concursos de beleza e da moda. Mas está mais dividido com a Comunicação Social. Por ter me formado, estou mais preocupada em me consolidar e encontrar oportunidades mais definitivas. Fui subindo a escada aos poucos. Comecei em concurso de escola, quase que de brincadeira, e acabei chegando ao Miss Brasil e ao Miss Universo, que é o maior concurso de beleza do mundo. Vivi intensamente esta fase. É uma ótima lembrança, mas é hora de partir para novas etapas e desafios.

Que importância tem sua família em sua vida e carreira profissional?

A família é fundamental. É a base, a célula da sociedade. Me orgulho muito dos meus pais e das minhas três irmãs, que sempre estiveram do meu lado, dando opiniões e criticando sempre pro meu próprio bem. No início minha mãe sempre me acompanhava. Meu pai não ligava muito. Depois ele foi tomando gosto e começou a dar opiniões. Avisava que eu estava engordando ou que esta roupa era melhor que aquela. Com cinco mulheres em casa ele passou a ter uma análise mais apurada. Minha mãe é muito observadora. Ela sempre me dá dicas e eu junto as idéias dela com as minhas. Por eles estarem de fora, talvez vêem coisas que eu não vejo. Meus pais sabem que estou começando uma nova etapa e continuam me incentivando e torcendo para que eu cresça e vença os obstáculos que estão por vir.

O que você mais gosta de fazer quando não está trabalhando?

Tenho que falar a verdade? Comer e dormir (não escreve isso). Risos. Tem coisa melhor do que isso? (Mais risos). Falando sério. Gosto de ouvir música, assistir filmes, passear, fazer compras (risos). Que mulher não gosta de fazer compras. Mas eu não sou muito consumista. Sou até equilibrada. Não saio comprando tudo que vejo nas vitrines. Só compro quando posso e de preferência à vista.

Que tal a experiência de ter seu próprio site?

Muuuuuuuuito legal! Estou superempolgada. Principalmente por ter um amigo competente, criativo e profissional que há muito tempo conversou com a minha irmã e minha mãe sobre a possibilidade de criar este site para divulgar meus trabalhos. Depois do título, com novos objetivos, eu percebi que seria fundamental para fazer novos contatos. Eu não imaginei que o site ficaria tão bom! Foi uma surpresa desde a criação da logomarca. Gostei da idéia de buscar a minha origem, valorizar a base. Fizemos o planejamento do site e você, que é muito atualizado e empreendedor, e que gosta de pesquisar sites de outras pessoas, aqui no Brasil e lá fora, me mostrou muitas novidades. Eu acho que não tem nenhum site como o meu. Alguém pode achar que site de miss é um site bobinho, sem conteúdo, mas eu acredito que nós vamos alcançar coisas que nem havíamos imaginado. Como você costuma dizer, está sendo uma diversão!